SUBSÍDIOS PARA A HISTÓRIA DE UMA IGREJA - Ernesto Esteves
Capítulo VI
PERSEGUIÇÃO
Tudo corria aparentemente bem e a Igreja crescia a olhos vistos. Tios, primos, avós, etc., etc., ouviram falar de Jesus. Toda a gente que se encontrasse era pretexto para falar de Jesus e, tal como no tempo dos Apóstolos, Deus ia acrescentando à Igreja aqueles que se haviam de salvar. Até que um dia tudo desabou! Foi um autêntico sismo na vida da Igreja.
Um dos meus amigos de infância, o Carlos Rolão, meu companheiro dos ensinamentos na “Escola Dominical”, onde as crianças aprendiam a genuína história de Jesus e como haviam de crescer na perfeita vontade de Deus, trouxe-me uma nova arrasadora:
-“Ernesto, estão a roubar a Igreja!”
- “Roubar a Igreja?”
- “Sim, estão mesmo a roubar tudo da Igreja...!!!”
Aquela triste mensagem passou velozmente a todos os crentes e, ao acorrerem ao local, depararam com uma triste cena: Agentes camarários a mandato do Presidente da Câmara arrombaram a porta da Igreja e tiraram tudo... literalmente tudo! cadeiras, púlpito, instrumentos musicais... tudo! colocaram num camião da Câmara e lá se foi, sumindo-se no horizonte tudo o que nos pertencia, sem qualquer objecção, perante a impotência dos crentes face ao mandato.
Tinham ficado apenas as paredes da antiga garagem. O salão de culto desaparecera. Os crentes haviam sido espoliados dos seus haveres e a sua fé agora encontrava-se num caminho sem saída.
O que vamos fazer? era a pergunta que ficava no ar... e o coração sangrava de dor, pois a ordem do Presidente era inabalável.
O Céu desabou sobre nós como o ribombar de um súbito e estrondoso trovão por cima das nossas cabeças!