Cap.4
"A semente a germinar"

Cap.5
"O Azevedo"

Cap.6
"Perseguição"

Cap.7
"A igreja clandestina"

Cap.8
"Recuperando forças"

Cap.9
"À procura de novas instalações"

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


SUBSÍDIOS PARA A HISTÓRIA DE UMA IGREJA - Ernesto Esteves


Capítulo IX

À PROCURA DE NOVAS INSTALAÇÕES

 

À altura dos acontecimentos descritos, surgiu nas imediações da minha casa um surto de novas construções.

Os crentes já andavam há muito a orarem ao Senhor por uma nova “Casa de Oração”.

Certo dia, quando brincava com os meus amigos da vizinhança, Deus usou-me para espreitar pelas janelas inacabadas de uma dessas construções.

Os meus olhos esbugalharam-se diante de um espaço enorme, amplo demais para aquilo que estava habituado a ver naquela zona. E pensei: Que bela Casa de Oração!

Não deixei morrer a ideia e corri apressadamente para casa, pois a visão do espaço era qualquer coisa de importante para continuar nas minhas brincadeiras. Esta nova sobrepunha-se ao prazer das traquinices de uma criança da minha idade.

Lembro-me de ter contado aos meus pais o que acabara de ver. Foi uma bomba...! a notícia correu velozmente pelos crentes e o meu pai não deixou para o dia seguinte para ver o que eu acabara de lhes contar. Falou com o construtor e, depois daqueles pró-formas, a casa estava apalavrada. Nós seríamos os primeiros interessados naquele espaço. O arrendamento seria feito a nosso favor.

Graças a Deus pela resposta às orações do seu povo. A casa seria para nós.

A Igreja começou a agradecer a Deus e, simultaneamente, a orar por qualquer embaraço que se colocasse no nosso caminho. Era uma Igreja já traquejada em contratempos. Mas também já suficientemente forte para saber onde encontrar a solução.

Era muito importante que orassem mesmo, porque nem nos passava pela cabeça quanto custaria obter a permissão de ter uma nova “Casa de Oração”.

A princípio tudo parecia correr sobre rodas e a Igreja ganhou novo alento. Tínhamos certamente - pensávamos - um novo espaço e muito melhores condições do que aquelas que havíamos tido na primeira “Casa de Oração”.

Começava agora a parte burocrática: contratos de arrendamento; licenças disto e daquilo, etc., etc., até que, precisamente o mesmo Presidente que nos havia espoliado da antiga casa, delegou num dos seus assessores para não permitir a passagem da licença de utilização para a celebração de culto evangélico naquele local.

O mar começava a encapelar-se... só havia uma saída: oração e mais oração!!!

Era indiscritível a quantidade de obstáculos. Desde o mais ínfimo pormenor até à própria construção, a qual, segundo os técnicos camarários, não suportaria o esforço de tanto peso por metro quadrado.

Tornava-se numa acesa forma de desgaste psicológico e espiritual para a obtenção das variadíssimas licenças. Seguiam-se vistorias atrás de vistorias... mas a Igreja permanecia em contínua oração.

Estava difícil, diria mesmo, muito difícil obter a tão ambicionada licença de utilização para os fins a que se destinava.

Depois de tantas provas ultrapassadas, documentadas, subsistia ainda a ordem do Presidente da Câmara: “ não dêem a licença àquela seita”.

Por último, até argumentaram acerca das letras que pretenderíamos colocar nas montras, com o anúncio dos cultos, bem como com a placa luminosa a dizer o nome da Igreja.

O povo de Deus saia de uma luta espiritual para retomar de seguida logo outra, permanecendo continuamente em oração, cientes que Deus nos havia dado aquele espaço. Era nosso, mas o diabo tinha os seus agentes em alerta vermelho.

Certo dia, quando o assessor do Presidente entrou de férias, foi indigitado outro para o substituir interinamente. Este último desconhecia a recomendação dada a nosso respeito. Ao tomar conta do expediente, encontrou o nosso processo. Analisou-o, e, não tendo encontrado nada que obstasse ao deferimento da pretensão, pelos poderes que lhe haviam sido conferidos assinou favoravelmente o tão ambicionado documento para a celebração de culto evangélico naquele espaço.

Estava em nossas mãos finalmente! o poder da oração havia colocado os anjos de Deus na luta. Agora sim, estava em nossas mãos a autorização. “Preto no branco”, como se costuma dizer.

 

No dia da consagração da nova “Casa de Oração” e simultaneamente a do primeiro culto, parecia-nos um sonho. Havíamos saído de um enorme pesadelo... no rosto de cada crente estava estampada uma miscelânea de riso e lágrimas... lágrimas de uma alegria incontida.

Finalmente acabara o pesadelo e a Igreja de Deus em Loures tinha novas instalações e estava completamente livre para cultuar ao Senhor.

 

A Igreja havia crescido bastante durante o período da clandestinidade e continuou nesse processo de desenvolvimento.

Desta “Igreja mãe” surgiram outros pontos de culto, tais como em: S. Julião do Tojal; Bucelas; Odivelas; Póvoa de Santo Adrião; Fanhões; Casaínhos; A-das-Lebres; Santo António dos Cavaleiros.

 

Sofremos o poder da autoridade, o escárnio do povo, a zombaria, a discriminação, mas como está escrito em Romanos 8: 37, 38 e 39:

Mas em todas estas coisas somos mais que vencedores, por aquele que nos amou. Porque estou certo de que, nem a morte, nem a vida, nem anjos, nem principados, nem coisas presentes, nem futuras, nem potestades, nem altura, nem profundidade, nem qualquer outra criatura nos poderá separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus nosso Senhor ”.

 

FIM